Terras sem Sombra em Viana do Alentejo: «Sob as Estrelas», com um dos melhores coros europeus
O Festival Terras sem Sombra ruma a Viana do Alentejo e Alcáçovas, no fim de semana de 13 e 14 de Junho. No sábado, dia 13, às 21h30, apresenta o concerto «Sob as Estrelas: Confluências Musicais entre o Leste e o Oeste», pelo coro feminino romeno-italiano Arpeggio, sob a direção musical de Gian Luigi Zampieri, com Irene Corgnale na flauta e Sofia Cocco no clarinete.
A tarde de sábado, 13 de junho, será marcada pela atividade de Património, que tem como tema «Ligar o Céu e a Terra: Os Embrechados da Capela e do Jardim do Paço Real».
Será uma tarde em busca de um dos mais singulares conjuntos decorativos do Alentejo e uma das expressões mais raras das artes decorativas portuguesas do Maneirismo e do Barroco.
A manhã de domingo, 14 de junho, dedicada à salvaguarda da biodiversidade, como é hábito. Com o lema «Tesouros Discretos: A Flora e a Fauna da Bacia do Rio Xarrama», será possível conhecer a riqueza ecológica de um dos principais afluentes do Sado, num território onde agricultura, pecuária e conservação ambiental coexistem há séculos.
Todas as atividades são de acesso livre e gratuito.
Fundado em Roma por um excecional conjunto de músicas profissionais romenas, o coro Arpeggio percorreu mais de 150 palcos europeus, de Itália à Áustria, de Espanha à Roménia, da Cripta de Gaudí em Barcelona à Expo Milano 2015.
A 13 de junho, este ensemble, já senhor de um percurso notável, assina um novo capítulo da sua história, desta feita no concelho de Viana do Alentejo.
A igreja matriz de São Salvador, em Alcáçovas, recebe um concerto que junta o madrigal renascentista italiano e a música romena dos séculos XX e XXI, num encontro de geografias e tempos distintos, em mais um fim de semana de atividades do Festival Terras sem Sombra.
À componente musical junta-se uma leitura do património de embrechados do jardim do Paço Real, em Alcáçovas, e uma incursão pela ecologia da bacia do rio Xarrama. Recorde-se que as atividades em Alcáçovas integram a Semana Cultural desta freguesia.
Na sua presença em Viana do Alentejo, a 13 e 14 de junho, o Terras sem Sombra conta com a parceria do Município local, da Junta de Freguesia de Alcáçovas, do Instituto Cultural Italiano e do Instituto Cultural Romeno em Lisboa.
Conta também com o apoio sustentado da Direção-Geral das Artes, do BPI-Fundação «La Caixa» e da CCDR-Alentejo.

Do madrigal renascentista à identidade musical romena: confluências de Leste a Oeste
«Sob as Estrelas: Confluências Musicais entre o Leste e o Oeste», assim se intitula o concerto da noite de sábado, 13 de junho (21h30).
O cenário é sublime: a igreja matriz de São Salvador guarda no seu interior, entre outras obras raras, o panteão dos Henriques de Trastâmara, senhores de Alcáçovas. A acústica das três naves de proporções excecionais é o garante de um concerto memorável.
Em palco, o Coro Arpeggio conta com a direção musical de Simona Moldoveanu, o acompanhamento ao piano de Gian Luigi Zampieri e as participações da flautista Irene Corgnale e da clarinetista Sofia Cocco.
O programa percorre vários séculos da música europeia, entretecendo o repertório renascentista italiano com composições romenas dos séculos XX e XXI.
Fundado em Roma em 2014, o ensemble Arpeggio dedica-se à divulgação da música coral romena e italiana no panorama europeu, com um percurso marcado pelo intercâmbio cultural e pela circulação internacional.
O coro mantém estreita ligação às comunidades da diáspora, colaborando regularmente com a Academia da Roménia em Roma, e organiza o Roots Fest – Festival Internacional de Coros.

Os embrechados do Paço Real: onde a natureza se faz arquitetura e símbolo
A tarde de sábado, dia 13 (15h00), propõe a visita guiada «Ligar o Céu e a Terra: Os Embrechados da Capela e do Jardim do Paço Real», com ponto de encontro no Paço dos Henriques e orientação de Aurora Carapinha, arquiteta paisagista, professora emérita da Universidade de Évora e investigadora do CHAIA – Centro de História de Arte e Investigação Artística.
Os embrechados – composições ornamentais executadas com conchas, seixos, vidro, cerâmica e outros materiais naturais – afirmaram-se entre os séculos XVII e XVIII como uma das linguagens estéticas mais singulares do barroco ibérico, presente em jardins, fontes, grutas artificiais e espaços de devoção, onde criava ambientes de forte dimensão cénica e espiritual.
No Paço Real de Alcáçovas, estes revestimentos atingem uma rara fusão entre natureza, arquitetura e transcendência: a capela e o jardim, também denominado Jardim das Conchinhas, com as suas 28 espécies distintas de conchas identificadas.
Destaque também para a assinatura do protocolo de colaboração entre a Pedra Angular, entidade organizadora do Festival Terras sem Sombra, e a Associação Portuguesa dos Jardins Históricos, a que preside Fernando Guedes.
O acordo abre caminho ao desenvolvimento de iniciativas conjuntas em jardins históricos e outros espaços de elevado interesse paisagístico, acolhendo concertos, atividades culturais e ações de sensibilização.

A bacia do Xarrama: ecologia, paisagem e a urgência de preservar
Na manhã de domingo, 14 de junho (09h30), a atividade «Tesouros Discretos: A Flora e a Fauna da Bacia do Rio Xarrama» convida ao conhecimento de um dos principais afluentes do Sado. O périplo, que decorre nas freguesias de Aguiar, Alcáçovas e Viana do Alentejo, conta com ponto de encontro no Jardim Público de Alcáçovas.
A visita é guiada pelos biólogos Miguel Porto, investigador do CIBIO – Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (Universidade do Porto), e Sara Lobo Dias, investigadora do CE3C – Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (Universidade de Lisboa).
O Xarrama atravessa zonas de montado, áreas agrícolas, galerias ripícolas e barragens, criando habitats diversificados para aves, peixes, anfíbios e mamíferos e albergando espécies características do ecossistema mediterrânico, como sobreiros, azinheiras, freixos e outras espécies de vegetação ribeirinha, fundamentais para o equilíbrio hídrico e climático da região.
A sua bacia é igualmente um espaço onde agricultura, pecuária e conservação ambiental coexistem há séculos.
As zonas húmidas e as margens do rio funcionam como corredores ecológicos essenciais para espécies vulneráveis e é precisamente nessa articulação entre ciência, conhecimento empírico e conhecimento de base científica que a atividade do TSS se funda.
Sublinhe-se que, pela primeira vez, o festival promove também um bioblitz, iniciativa de ciência cidadã que desafia os participantes a registar fotograficamente a fauna e a flora observadas ao longo do percurso.
A informação recolhida dará origem a um inventário-relâmpago da biodiversidade local, num contributo para um melhor conhecimento dos valores ecológicos deste espaço.
A programação da 22.ª edição do TSS prossegue a 27 e 28 de junho em Gavião, com um concerto pela mão do italiano Duo Baldo-Consonni, no concerto intitulado «Do Romantismo ao Âmago da Modernidade: Essências e Ruturas».
Obrigado por fazer parte desta missão!
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