Liga dos Amigos do Hospital de Lagos vende mais de oitocentas peças, na sua maioria a visitantes estrangeiros, em exposição durante duas semanas no Armazém Regimental da cidade
Colchas, panos, objectos de louça, cinzeiros, jarras, bonecos, artigos para crianças, aventais, porta-moedas, toalhas, garrafas, cestos, quadros e até uma roda de marinheiro, entre outros produtos com preços variados. Muitos foram doados por associados da Liga dos Amigos do Hospital Distrital de Lagos. O que sobrou poderá ir a leilão.
José Manuel Oliveira

«Ajude-nos a ajudar os outros». Este é o apelo que se podia ler à entrada do Armazém Regimental de Lagos, na Praça Infante Dom Henrique, onde decorreu durante duas semanas, de 16 a 31 de Maio, de manhã e tarde, mais uma exposição-venda promovida pela Liga dos Amigos do Hospital Distrital de Lagos.
Num total de nove bancas, a que se juntaram mais quatro expositores noutros moldes, havia produtos diversos e com preços variados, desde, por exemplo, toalhas de mesa por 70 e 25 euros, colchas (15 euros), uma colcha de renda de casal (80 euros), peúgas e meias (1,50 e 2 euros), até pregadeiras e cinzeiros (três euros), porta-moedas (um euro), artigos em louça (1,50, 5,00 e 10,00 euros), bonecos com barrete (8,00 euros), uma cadeira em miniatura (3,00 euros), uma jarra (10,00 euros), sacos de croché (4,00 euros) e até uma roda de marinheiro por 90 euros, entre outros objectos para cozinha, sala e crianças. Garrafas, quadros, cestos, bolsas, aventais e vários bonecos entraram igualmente neste evento. Muitas das peças em exposição foram doadas à Liga dos Amigos do Hospital Distrital de Lagos.
«Passei por aqui e lembrei-me de ti – Óbidos Portugal» lia-se num artigo exposto numa das mesas.
Idosa residente em Barão de São Miguel, no concelho de Vila do Bispo, confeccionou meias de lã e de croché para crianças, só para se manter ocupada. Mas não esteve presente na exposição
Maria Candeias, uma senhora, de 90 anos, residente em Barão de São Miguel, no concelho de Vila do Bispo, confeccionou meias de lã e de croché para crianças, “para se manter ocupada”, contou ao ‘Litoralgarve’ a presidente da Direção da Liga dos Amigos do Hospital Distrital de Lagos, Olívia Gouveia. Contudo, a idosa não esteve presente na exposição. Apenas colaborou.
Muitos visitantes, portugueses e de outras nacionalidades, visitaram o bazar, apreciando o que estava em exposição-venda. A maioria, porém, aproveitou para adquirir produtos úteis para o lar e outros destinados a crianças. Os estrangeiros foram os principais clientes.
Entrevista a Olívia Gouveia, presidente da Direção da Liga dos Amigos do Hospital Distrital de Lagos: “Vendemos muito. O objectivo está cumprido. Verba irá para aquilo que for necessário adquirir, desde cadeiras de rodas, pois as nossas já estão velhas, e camas eléctricas, entre outras”
Desempenhou a sua actividade profissional de enfermeira no Hospital Distrital de Lagos e no Hospital do Barlavento, em Portimão, e foi professora no Instituto Piaget, em Silves, dedicado à área da saúde. Agora é docente na Universidade Sénior, integrada no Centro de Estudos de Lagos.
Litoralgarve – Que balanço faz desta exposição que decorreu durante duas semanas, de 16 a 31 de Maio, no Armazém Regimental de Lagos?
Olívia Gouveia – É positivo. Os primeiros dias foram muito bons, entrou muita gente. E o objectivo está cumprido. Estamos satisfeitos.

Litoralgarve – Como decorreram as vendas?
Olívia Gouveia – Vendemos muito. Este local é mais acessível, entram mais pessoas. O espaço é maior e também há mais possibilidade de expor mais material. Já temos feito exposições aqui e sempre tem sido muito bom.
“Cerca de mil euros” de receita, “especialmente com objectos feitos à mão, panos de cozinha, crochés, peças para crianças, aventais. Coisas pequenas, mas que são muito úteis. Talvez mais de oitocentas peças.”
Melhores clientes? “Estrangeiros de várias nacionalidades, desde franceses, ingleses, alemães, holandeses e até japoneses, chineses e polacos. Também apareceu um casal jovem russo, que vive cá, e um turista israelita quis saber onde podia doar roupa. Indiquei o Banco Solidário, em Lagos.”
Litoralgarve – Qual o valor total dos produtos vendidos?
Olívia Gouveia – Cerca de mil euros.
Litoralgarve – E sobretudo com que objectos?
Olívia Gouveia – Especialmente com objectos feitos à mão, panos de cozinha, crochés, peças para crianças, aventais. Coisas pequenas, mas que são muito úteis. Talvez mais de oitocentas peças.
Litoralgarve – Quais os melhores clientes?
Olívia Gouveia – Estrangeiros de várias nacionalidades, desde franceses, ingleses, alemães, holandeses e até japoneses, chineses e polacos. Também apareceu um casal jovem russo, que vive cá, e um turista israelita quis saber onde podia doar roupa. Indiquei o Banco Solidário, em Lagos.
“Os portugueses também efetuaram compras, mas não tantas como os estrangeiros”
“Os nossos associados fazem muitas peças para doar”
Litoralgarve – E os portugueses?
Olívia Gouveia – Os portugueses também efectuaram compras, mas não tantas como os estrangeiros. Os nossos associados fazem muitas peças para doar. E muitos dos visitantes portugueses vieram de fora, compraram peças, mas não muitas.
“Verba irá para aquilo que for necessário adquirir, desde cadeiras de rodas, pois as nossas já estão velhas, e camas eléctricas, entre outras. Temos de adquirir material novo, melhor material. E quando chegar o Natal, pensamos oferecer cabazes a famílias carenciadas.”
Litoralgarve – Qual é o destino da receita angariada nesta exposição?
Olívia Gouveia – Esta verba irá para aquilo que for necessário adquirir, nomeadamente cadeiras de rodas, pois as nossas já estão velhas, e camas eléctricas, entre outras. Temos de adquirir material novo, melhor material. E quando chegar o Natal, pensamos oferecer cabazes a famílias carenciadas. Por outro lado, não sabemos se poderemos fazer um leilão, uma vez que todas as salas apropriadas para o efeito já estão ocupadas. Já tenho pedido para o próximo ano.
Litoralgarve – Que iniciativas irá promover a Liga dos Amigos do Hospital Distrital de Lagos até final de 2026?
Olívia Gouveia – Para já, está no nosso objectivo promover um almoço ou um jantar com os nossos associados para homenagear os mais antigos, que vão deixar de trabalhar, de colaborar e doar peças. Acho que são merecedores do nosso carinho e do nosso apoio. Também pensamos leiloar peças que sobraram nesta exposição, de forma a angariar fundos.
Litoralgarve – Quantos associados tem a instituição?
Olívia Gouveia – Neste momento, cerca de noventa. Muitos já faleceram, outros têm desistido. E outras pessoas prometem inscrever-se, mas ainda não apareceram.
Litoralgarve – E a sede?
Olívia Gouveia – Continuamos num prédio situado na Rua do Castelo dos Governadores, junto ao edifício onde funcionou o Hospital Distrital de Lagos. Isto até a Câmara Municipal de Lagos nos ceder instalações junto ao atual Hospital Terras do Infante (Hospital de Lagos), onde temos pessoas que continuam a fazer trabalho de voluntariado.
E acrescenta:
Para o mês de Outubro já estão inscritas duas pessoas com vista à participação num ‘workshop’ durante um dia e meio na Câmara de Lagos para trabalho de voluntariado no Hospital.
Litoralgarve – Como funciona esse trabalho de voluntariado?
Olívia Gouveia – Esse trabalho de voluntariado funciona no Hospital Terras do Infante (Hospital de Lagos), nomeadamente ao nível de apoio a refeições a doentes.
Voluntários? São “muito poucos. Muitos começam e, depois, acabam por desistir. Neste momento, temos apenas quatro voluntários, um deles, um senhor que é chefe dos CTT. Já nos disse que assim que passar à reforma, passará a colaborar com mais disponibilidade.”
“A pandemia Covid-19 também afastou muitas pessoas deste trabalho de voluntariado. É que durante esse período da pandemia, nada fizemos.”
Litoralgarve – E quantos voluntários tem a Liga?
Olívia Gouveia – Tem muito poucos. Muitos começam e, depois, acabam por desistir. Neste momento, temos apenas quatro voluntários, um deles, um senhor que é chefe dos CTT. Já nos disse que assim que passar à reforma, passará a colaborar com mais disponibilidade.
Por outro lado, as pessoas vão envelhecendo e vão-se afastando. A pandemia Covid-19 também afastou muitas pessoas deste trabalho de voluntariado. É que durante esse período da pandemia, nada fizemos.
“Com uns vinte voluntários já ficaríamos satisfeitos. São elementos que acompanham doentes só em Lagos, eventualmente desde casa até ao hospital e vice-versa. Trabalhamos com segurança.”
Litoralgarve – Quantos elementos são necessários? Uma centena seria o ideal?
Olívia Gouveia – Não, não. Seria muita confusão no Hospital. E o pessoal médico, bem como enfermeiros, auxiliares e funcionários administrativos não querem confusão. Com uns vinte voluntários já ficaríamos satisfeitos. São elementos que acompanham doentes só em Lagos, eventualmente desde casa até ao hospital e vice-versa. Trabalhamos com segurança.
“Nem toda a gente tem espírito para estar num hospital, para estar junto de pessoas que se encontram em fim de vida. Nem toda a gente tem essa percepção. Mas há aqueles que gostam.”
“Os voluntários têm as suas vidas próprias e escolhem um dia da semana para fazer esse trabalho, ou de manhã ou de tarde”
“Tivemos uma jovem que veio experimentar. E neste momento uma outra rapariga também vem experimentar para ver se gosta, junto dos voluntários mais antigos, ver como é o trabalho, ver se tem apetência. Porque se não tiver, não ficará como voluntária. Tem de fazer formação.”

“Esse trabalho, normalmente, é feito no Hospital de Lagos. E eu como era formadora, também participo nesse trabalho.”
Litoralgarve – Qual é o apelo que deixa à população de Lagos?
Olívia Gouveia – Venham ajudar a Liga dos Amigos do Hospital Distrital de Lagos. E peço que gostem de ajudar o próximo. Só isso. Gostava de ter mais voluntários, como é evidente, mas nem toda a gente tem espírito para estar num hospital, para estar junto de pessoas que se encontram em fim de vida. Nem toda a gente tem essa percepção. Mas há aqueles que gostam. Os voluntários têm as suas vidas próprias e escolhem um dia da semana para fazer esse trabalho, ou de manhã ou de tarde. Há um biólogo da Marinha, que quando voltar para Lagos, continuará a ser voluntário aos domingos.
Litoralgarve – Os jovens não aderem ao voluntariado?
Olívia Gouveia – Tivemos uma jovem que veio experimentar. E neste momento uma outra rapariga também vem experimentar para ver se gosta, junto dos voluntários mais antigos, ver como é o trabalho, ver se tem apetência. Porque se não tiver, não ficará como voluntária. Tem de fazer formação.
Litoralgarve – Onde?
Olívia Gouveia – Esse trabalho, normalmente, é feito no Hospital de Lagos. E eu como era formadora, também participo nesse trabalho.
