Fica concluída já no início desta semana a intervenção de enchimento do areal da praia da Fuzeta. A promessa foi deixada pela ministra do Ambiente numa visita ao local. Também as praias de Loulé, muito afetadas pelas tempestades de inverno, conseguiram com a alimentação artificial ganhar 50 metros de areal até ao mar, como mostra a reportagem da SIC.
A Fuzeta teve também a época balnear em perigo. Foi preciso avançar com uma intervenção de emergência: 400 mil euros e 40 mil metros cúbicos de areia vão permitir abrir a praia aos banhistas.
“Foi mesmo para salvar a época balnear e ainda bem que o fizemos”, afirma a ministra do Ambiente, Maria Graça Carvalho, que aproveitou o Dia Mundial do Ambiente, na sexta-feira, para visitar a reta final da intervenção na Fuzeta.
As tempestades de inverno chegaram, nalgumas zonas, a ‘comer’ 15 metros de areal. Foi preciso uma intervenção de mais de 14 milhões de euros para assegurar que nos sete quilómetros do Forte Novo a Vale do Lobo e Vale Garrão houvesse época balnear.
Imagem extraída da reportagem da SIC
Seguem-se dentro de meses dragagens nos portos também da Fuzeta, Tavira e Lagos. No final do verão, será retomada a intervenção entre a Praia da Rocha e a dos Três Castelos.
“Temos tido problemas técnicos, tem sido difícil o transporte da mistura de areia e água. Não conseguimos acabar antes da época balnear por isso interrompeu-se e tirou-se tudo. Retomamos a seguir à época balnear”, explicou a ministra.
Entre obras concluídas, em curso ou contratualizadas, o investimento na reposição de areias e proteção costeira do Algarve aproxima-se dos 20 milhões de euros. Em média, a linha de costa tem recuado três metros por ano no Algarve.
O Salão Nobre dos Paços do Concelho de Loulé abriu as portas, na passada quarta-feira, para uma homenagem à equipa sénior de futebol do Louletano Desportos Clube pela promoção à Liga 3. O evento reuniu atletas, equipa técnica, dirigentes, executivo municipal e amigos do clube, numa celebração pautada por memórias históricas e apelo a um ainda maior apoio ao clube na nova temporada.
A sessão solene abriu com uma intervenção sentida de Gilson Pagani, figura histórica do clube e que é hoje o seu diretor geral, que recordou com nostalgia os tempos áureos das décadas de 80 e 90, período em que o Louletano militava na II Divisão. Na altura, o atual presidente da Câmara de Loulé, Telmo Pinto, fazia parte do plantel, ao lado de Pagani, Eduardo Pires, Jorge Guerra ou João Pedro Caliço, mas também de atletas de I Divisão e internacionais de renome, como o bicampeão mundial de juniores brasileiro Mauricinho. Pagani relembrou o mítico jogo contra o FC Porto, “que nunca vai sair da memória de ninguém”. Um empate 2-2 em casa, em partida a contar para a Taça de Portugal, no qual os algarvios se bateram de igual para igual. “Estávamos com um frio estômago, mas quando o Rosa Santos começou o jogo o perfume teve que exalar…”.
Relativamente ao momento atual, o diretor sublinhou a exigência do último campeonato. “O nosso fabuloso Mister Miguel (Valença) conseguiu unir o grupo e chegámos aqui com dignidade, lealdade, raça e ânimo. O Louletano é muito mais do que pensam, é conhecido no Brasil e em Angola”, afirmou, acrescentando ainda: “No Louletano ninguém desiste! Se tivéssemos desistido em janeiro, nunca estaríamos aqui!”.
O antigo jogador destacou ainda o percurso do atual presidente da Autarquia, que foi seu companheiro dentro das quatro linhas, como um exemplo a seguir: “Naquela altura, os miúdos entravam mudos e saiam calados do balneário. E um dia, chegou ao balneário um miúdo vindo do Quarteirense, magrinho, focado e elétrico, sempre a dar a opinião dele. Estudou, formou-se em Engenharia e depois o bichinho da política pegou ele. Ele nos deu esse exemplo, temos que estar focados, as oportunidades aparecem e quando a porta abre temos que entrar por ela”, lembrou Pagani.
Por seu turno, o presidente do Louletano Desportos Clube, António do Adro, enalteceu a importante parceria com o investidor/patrocinador Hugo Garcia, elogiou o trabalho e empenho da equipa diretiva que o acompanha, lembrando ainda o ecletismo do clube que move dezenas de pessoas diariamente na natação, ginástica, futsal ou triatlo.
António do Adro manifestou a sua satisfação por ter na presidência do Município alguém que conhece profundamente o clube, mas não escondeu algumas necessidades atuais. “Sei das dificuldades em termos de campos para a formação. Loulé só voltará a ser grande no desporto quando tiver mais infraestruturas”, alertou. O líder do clube garantiu ainda que a equipa continuará a jogar no Estádio Algarve, agora com os jogos a serem transmitidos pela televisão (Canal 11), mas que as despesas serão maiores, sobretudo devido às deslocações. “A Câmara Municipal sempre nos ajudou muito, mas este ano vamos chatear-te um bocadinho mais, Telmo!”, avisou.
A encerrar a cerimónia, o presidente da Câmara Municipal de Loulé, Telmo Pinto, dirigiu-se diretamente aos jogadores, apelidando-os de “verdadeiros obreiros da vitória e os grandes heróis”. O autarca aconselhou o plantel a desfrutar do momento, lembrando que quem consegue fazer de um hobby a sua profissão é um “felizardo”. Recuando ao seu tempo de atleta, partilhou histórias de balneário: “Só o Benfica tinha um autocarro melhor do que o nosso. Num ano fizemos 12 viagens às Ilhas. O Mauricinho ganhava 1100 contos e eu 50 contos. Há muita carolice e gente a trabalhar nos bastidores para isto resultar”.
Assumindo as carências apontadas pelo líder do clube, Telmo Pinto reconheceu que o concelho está “deficitário em alguns equipamentos”, mas sublinhou a grandeza desportiva de Loulé, visível nas múltiplas modalidades, campeões e atletas olímpicos. O edil concluiu destacando o papel social e cívico da instituição: “Foi nesta casa que muita gente foi formada e seguiu o caminho certo na vida. Esta entidade é altamente responsável pela formação de homens e mulheres deste concelho”.
Quem é a equipa do Louletano Desportos Clube?
Jogadores: Adair Kandala, Carlos Jr, Chima James, Daniel Paulino, Diogo Machado, Elvis Mendes, Guilherme Campos, Gustavo Daris, Jair Brito, João Farrajota, Leandro Ferreira, Luca van der Gaag, Marcão, Miguel Laginha, Nuno Martelo, Ricardo Leal, Rodrigo Mendes, Rodrigo Vilela, Sander Ramires, Tiago Cavadas, Tiago Correia, Tiago Paixão, Tiago Sousa, Tomás Tomaz, Xavi e Yan MarinhoEquipa técnica, staff e direção: Técnico de Equipamentos – Francisco Calenga (mais conhecido por Chicão); Departamento Médico – Victor Flores; Departamento Médico – David Roberto; Médico – Miguel Nascimento; Preparador Físico – Paulo Dubian Nosé; Treinador de Guarda-Redes – Bruno Pereira; Treinador Adjunto – André Silva; Treinador Adjunto – Miguel Lourenço; Treinador Principal– Miguel Valença; Dirigente – Jorge Evangelista; Dirigente – Luis Martins; Dirigente – Nuno Laginha; Dirigente – Nuno Cabrita; Diretor Desportivo – Filipe Costa; Diretor Geral – Gilson Pagani; Patrocinador – Hugo Garcia; Presidente – António do Adro.
A 18 de Junho de 1946, em Boliqueime, «o céu sorriu». Não porque «os anjos cantaram», mas porque, «de vez em quando, nasce alguém» capaz de recordar o que muitas vezes a humanidade esquece: «a sua própria humanidade». Esse alguém tem nome próprio: Lídia Jorge, a mesma que, quase 80 anos depois, a 8 de Junho de 2026, voltou a fazer o céu sorrir. Agora com uma Medalha de Mérito Cultural ao peito.
Na vida, há quem herde «propriedades», quem herde «apelidos» e outros há que herdam «uma coisa mais rara: o conhecimento profundo da condição humana».
É aqui que se insere Lídia Jorge, escritora multipremiada, algarvia de coração e de convicção, alguém que «nunca escreveu para conquistar o mundo».
Antes, «para o compreender», nas palavras de Dino d’Santiago, também cantor multipremiado, também algarvio de coração e de convicção – e, circunstancialmente, “padrinho” da atribuição da Medalha de Mérito Cultural a Lídia Jorge.
Aconteceu ontem, 8 de Junho, em Loulé, perante uma plateia lotada – Lídia haveria de confessar, com a sua íntriseca bondade, que estava entre amigos. De tal forma que quase «podia enunciar o nome de cada um dos rostos».
Eles eram imensos: Margarida Balseiro Lopes, ministra da Cultura, Juventude e Desporto (“culpada” desta homenagem à escritora algarvia), Telmo Pinto, presidente da Câmara de Loulé, Vítor Aleixo, ex-presidente da Câmara de Loulé, Carlos Albino, companheiro de décadas de Lídia, responsáveis autárquicos, gente ligada à cultura.
E Dino d’Santiago, a quem coube um género de laudatio à escritora que lhe ensinou que o dia 18 de Junho nunca mais terá o mesmo significado.
«Deixou de ser uma data para ser um lugar: onde a literatura, a esperança e as memórias resistem. E onde uma mulher de Boliqueime continua a lembrar-nos de que escrever não é só o ato de organizar as palavras», disse.
Nas suas obras – elas são tantas, desde o inicial “Dia dos Prodígios” (e já lá vamos) -, julgamos estar a olhar para «personagens» para, de forma súbita, entender que «estamos a olhar para nós próprios».
Talvez seja essa a magia da literatura. «Compreender é um dos gestos mais revolucionários que o ser humano pode realizar. Num tempo em que tantos escolhem o ruído, ela escolheu escutar. Talvez seja por isso que a sua obra permanece. Porque não nasceu da ideologia, mas da compaixão», disse, antes do abraço final à escritora, que o escutou comovida.
Assim se manteve também quando Margarida Balseiro Lopes lhe agradeceu – num registo mais pessoal – a «simplicidade, a simpatia, a generosidade, a humanidade e a humildade». Todas «absolutamente desconcertantes».
A escritora, considerou a ministra, já num tom mais institucional, construiu «um percurso singular, com uma obra que atravessa grandes géneros e formas de escrita». Mas que nunca se desligou da «memória, da condição humana» e da «forma como olhamos o país e o mundo que nos rodeia».
O seu percurso começou «aqui, no Algarve», que sempre se manteve «na paisagem da sua escrita». O tal “Dia dos Prodígios” [e lá voltaremos a ir] foi «uma das obras mais marcantes da literatura portuguesa no pós-25 de Abril».
«Tratou-se de uma obra que abriu novas possibilidades à narrativa portuguesa contemporânea, construindo uma leitura profundamente original do país, da transformação social e da realidade portuguesa saída da ditadura», disse.
Outras se seguiram, como “Costa dos Murmúrios” ou a mais recente “Misericórdia”, mas a própria Lídia Jorge mantém com o primeiro livro que publicou uma relação que não escondeu, no seu discurso.
Já de medalha ao peito, depois de longos agradecimentos, a escritora confessou a «surpresa» de que se revestiu a publicação da sua primeira obra.
Com «palavras típicas de um lugarejo perdido no barrocal algarvio», essa história tinha tudo para ser um «livro completamente fora de moda». Tornou-se num clássico da literatura portuguesa contemporânea.
«Escrevi-o a seguir à Revolução, convicta de que a sociedade portuguesa se ia modernizar de um momento para o outro. E eu, sem qualquer tipo de saudosismo, desejava que não fosse esquecido o Portugal primitivo que a maior parte de nós, na altura, tinha conhecido», confessou.
Para que a memória não se perdesse – ela que é um dos elementos primordiais na escrita de Lídia, uma escritora hoje atormentada com os desafios das novas tecnologias, que foram o mote para uma reflexão durante a tarde, em Tavira, também com a ministra da Cultura.
Há a inteligência artificial, uma «incógnita à qual ainda não sabemos dar verdadeiramente os adjetivos», mas também uma certeza bem vincada pela autora algarvia.
«A literatura e a poética representam o lugar último de resistência à robotização do pensamento, à artificialidade, à despersonalização. Nenhuma máquina poderá rivalizar com a capacidade criativa que nós, os seres humanos, temos», vincou.
Tudo isto foi dito, vivido e contado, em Loulé, no Algarve, na terra dela, na «primeira pátria» de uma escritora que continua a fazer o céu sorrir.
Fotos: Pedro Lemos | Sul Informação
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