Reading view

Universidade de Coimbra coordena descoberta de novas orquídeas africanas

Duas novas espécies de orquídeas descobertas na África Central estão a ajudar cientistas a compreender melhor como plantas tropicais interagem com os seus polinizadores e a revelar um tipo de polinização raramente observado na natureza. O estudo, coordenado pelo Centro de Ecologia Funcional (CFE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra mostra, ainda, que estas espécies, agora identificadas, já se encontram ameaçadas de extinção.

As espécies, pertencentes ao género Rhipidoglossum, foram identificadas através de uma abordagem que combinou trabalho de campo, análise morfológica e dados de distribuição geográfica. Para além da descoberta, os investigadores conseguiram algo pouco comum: observar diretamente a interação com os seus polinizadores, neste caso mariposas noturnas, um comportamento raramente documentado.

Estas observações ajudam a confirmar que a forma das flores está intimamente adaptada aos insetos que as polinizam, revelando relações ecológicas altamente especializadas.

As novas espécies foram encontradas em regiões da África Central, incluindo áreas montanhosas e florestas tropicais, consideradas importantes centros de biodiversidade. No entanto, apresentam uma distribuição limitada e já foram classificadas como ameaçadas, sobretudo devido à destruição de habitat.

Para os investigadores, este trabalho demonstra que a biodiversidade tropical é não só mais rica do que se pensava, mas também mais complexa nas suas interações ecológicas. A falta de dados e a pressão sobre os ecossistemas tornam urgente continuar a estudar e proteger estas espécies antes que desapareçam.

“No grande quebra-cabeças que é a biodiversidade tropical, cada nova amostra ou registo pode representar uma peça ainda desconhecida pela ciência. Estes ecossistemas estão entre os mais ricos em biodiversidade do planeta, mas também entre os mais ameaçados e com maiores lacunas de informação. Estudos que combinem coleções biológicas, trabalho de campo e colaboração internacional são essenciais para compreender esta diversidade e apoiar estratégias de conservação antes que muitas destas espécies desapareçam”, refere Arthur Macedo, doutorando do CFE.

Os investigadores registaram ainda interações entre grilos e flores de orquídeas, um fenómeno extremamente raro e pouco documentado em escala global. Esta observação representa uma descoberta inédita e sugere que estes insetos poderão desempenhar um papel ecológico mais relevante na polinização de algumas espécies tropicais do que se pensava anteriormente.

“A grande diversidade floral de Rhipidoglossum deixa adivinhar muitas interações desconhecidas. Quem sabe se os grilos não poderão ser os polinizadores principais de alguma espécie na flora da África Tropical?”, questiona João Farminhão, investigador do CFE e orientador principal.

  •  

Escola de Artes de Lagoa promove oficina intitulada ‘Arte e Afeto’

Sentir e crescer juntos através da arte é o desafio para uma oficina na Escola de Artes de Lagoa – Mestre Fernando Rodrigues, onde se pretende, através da partilha em grupo, de atividades de expressão plástica, histórias e jogos, ajudar os jovens a reconhecer, compreender e expressar as suas emoções de forma natural e segura.

Será de 13 junho a 29 agosto, em 12 sessões, aos sábados das 10h00 às 11h30, sendo que esta iniciativa surge como um espaço seguro, acolhedor e promotor do bem-estar, facilitando a livre expressão de emoções, sentimentos e opiniões, bem como a exploração do mundo interior e o relacionamento com o Outro.

Desta forma, pretende-se criar condições facilitadoras do desenvolvimento pessoal que envolve o autoconhecimento, a autorregulação emocional, a autoconfiança e as habilidades sociais. Para isso, o projeto vai canalizar e potencializar o efeito terapêutico da arte, aliado a outras técnicas da psicologia, como veículo de expressão.

Os participantes serão convidados a explorar a sua “paleta interior” através da introdução e discussão de temas que englobam a inteligência emocional, a partilha de experiências e a realização de atividades práticas — como desenho, pintura, moldagem, recorte e colagem — relacionadas com temas centrais (por exemplo: conhecer o meu Eu, o medo, a coragem, comunicar com o Outro, entre outros). 

As sessões serão estruturadas por tema, mas sofrendo adaptações conforme as características e necessidades do grupo, mantendo sempre a flexibilidade e o espaço para o que os jovens quiserem expor no dia. No final, se as crianças assim o desejarem, será possível expor as suas obras para os pais e para o público geral. 

A atividade será inteiramente orientada por Valeria Gore, psicóloga clínica, o que garante um acompanhamento cuidadoso e personalizado a cada participante. A sua experiência permite identificar necessidades emocionais, apoiar a gestão das emoções e promover a confiança, o bem-estar e relações mais positivas com os outros.

A Escola de Artes de Lagoa – Mestre Fernando Rodrigues Num ambiente seguro, acolhedor e respeitador, os jovens poderão desenvolver competências emocionais, cognitivas e motoras importantes para o seu crescimento saudável.

  •  
❌