Greve geral contra pacote laboral mobiliza centenas de trabalhadores no Algarve

Centenas de trabalhadores de diversos setores participaram na greve geral convocada por estruturas sindicais ligadas à União dos Sindicatos do Algarve (USAL)/CGTP-IN, em protesto contra o denominado “pacote laboral”. A concentração reuniu representantes dos setores do comércio, educação, saúde, administração pública, autarquias e serviços.
Ao longo da iniciativa, dirigentes sindicais apresentaram dados que apontam para uma forte adesão à paralisação em vários concelhos algarvios. Segundo os intervenientes, registaram-se encerramentos de escolas, creches e jardins de infância, bem como elevados níveis de adesão em hospitais, centros de saúde, autarquias e empresas privadas.
De acordo com os dados divulgados durante a concentração, os portos de pesca do Algarve estiveram praticamente encerrados e o Aeroporto de Faro registou uma adesão superior a 80%, tendo sido cancelados cerca de 40 voos até ao meio-dia. O setor ferroviário funcionou apenas com os serviços mínimos, de acordo com as estruturas sindicais.

Na educação, dezenas de estabelecimentos de ensino encerraram portas, entre eles a Escola Secundária de Silves, a Escola Secundária de Vila Real de Santo António, a Escola Gil Eanes, em Lagos, a Escola Manuel Teixeira Gomes, em Portimão, e várias escolas básicas e jardins de infância dos concelhos de Faro, Olhão, Tavira, Lagos, Loulé, Aljezur e São Brás de Alportel.
Os sindicatos reportaram ainda elevadas taxas de adesão em creches e instituições sociais. O Jardim do Sol, em Portimão, registou uma adesão de 100%, tal como o Infantário Pinóquio, em Tavira. No Infantário Cegonha, também em Tavira, a adesão atingiu 99%, enquanto o Infantário Santo António registou cerca de 89% de trabalhadores em greve. Na Santa Casa da Misericórdia de Albufeira e na Misericórdia de Tavira foram assegurados apenas os serviços mínimos.
No setor do comércio, os sindicatos referiram paralisações em vários supermercados.
Na saúde, a adesão dos enfermeiros rondou os 80% a nível nacional, segundo dados apresentados durante a manifestação. No Hospital de Portimão, a adesão atingiu 83,3%, enquanto em Faro se situou nos 74%. A greve estendeu-se também a unidades privadas, incluindo os hospitais das Gambelas, Alvor e Loulé.
Já os médicos alertaram para o impacto das propostas laborais em discussão e referiram constrangimentos em várias unidades de saúde. No Hospital de Faro, serviços como o bloco operatório e algumas valências funcionaram com atividade reduzida, mantendo-se apenas os serviços considerados essenciais.
A administração pública também registou forte participação. De acordo com representantes sindicais, serviços da Segurança Social, tribunais, centros de saúde e diversos organismos públicos registaram adesões expressivas.
Em declarações ao Jornal do Algarve, Catarina Marques, responsável da União dos Sindicatos do Algarve (USAL), afirmou que a adesão à greve correspondeu às expectativas da estrutura sindical.

“De certa forma, sim, porque fomos fazendo um percurso de esclarecimento e informação junto dos trabalhadores e percebemos que cada vez mais pessoas tomavam consciência do que representa este pacote laboral e do quão prejudicial ele pode ser para os seus direitos e para as suas vidas”, afirmou.
Segundo a dirigente sindical, a participação aumentou relativamente à anterior greve geral.
“Temos setores que aderiram à greve do dia 11 e que agora registaram uma adesão ainda mais significativa. Isso resulta de uma crescente consciência dos trabalhadores sobre o conteúdo deste pacote laboral”, referiu.
Quanto aos números da paralisação, Catarina Marques destacou o impacto em várias áreas de atividade.
“Sabemos que os portos do Algarve praticamente encerraram, que o aeroporto registou uma adesão superior a 80%, com cerca de 40 voos cancelados até ao meio-dia, e que o setor ferroviário funcionou apenas com serviços mínimos”, explicou.
A responsável da USAL fez ainda questão de sublinhar a participação do setor privado na greve.
“Há muitas vezes a ideia de que apenas os trabalhadores do setor público fazem greve, mas isso não corresponde à realidade. Tivemos adesões significativas na indústria conserveira, na vigilância, na segurança privada, nos hospitais privados e em muitos outros setores”, afirmou.
A presença de jovens na manifestação foi outro dos aspetos destacados pela dirigente sindical. Para Catarina Marques, os mais novos têm vindo a demonstrar uma crescente preocupação com as consequências das alterações propostas à legislação laboral.
“Os jovens perceberam que, se este pacote laboral avançar, o seu futuro fica comprometido. A possibilidade de um jovem que nunca teve um contrato efetivo poder passar toda a sua vida sem essa estabilidade é algo completamente inaceitável. Os jovens precisam dessa segurança para construir os seus projetos de vida e emanciparem-se”, defendeu.
Questionada sobre a mensagem que deixaria ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, Catarina Marques foi direta: “O pacote laboral é para derrotar. Deixe cair o pacote laboral, só lhe ficava bem estar do lado dos trabalhadores e do povo do seu país.”
Sob palavras de ordem como “Mais um empurrão e o pacote vai ao chão”, os manifestantes garantiram que a contestação continuará caso o pacote não seja retirado.






