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Chapéus-de-sol dividem banhistas e concessionários no Algarve

4 June 2026 at 11:11

A poucos dias do arranque oficial da época balnear, as praias algarvias tornaram-se palco de uma crescente controvérsia em torno da colocação de chapéus-de-sol particulares em frente às zonas concessionadas. A ausência de uma clarificação definitiva das regras está a gerar conflitos entre banhistas e concessionários, com situações que já obrigaram à intervenção da Polícia Marítima. A Praia de Monte Gordo é um dos exemplos mais visíveis desta disputa. Muitos veraneantes chegam ao areal convencidos de que já não existem restrições à instalação de chapéus-de-sol em frente às concessões, mas acabam por ser confrontados com indicações para se deslocarem para outras áreas da praia. Na origem da polémica está a interpretação de que não existe qualquer legislação que proíba explicitamente a colocação de chapéus-de-sol particulares nessas zonas. As recentes declarações do presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que classificou como abusiva a proibição imposta em algumas praias, alimentaram a expectativa de mudança. Contudo, essa posição ainda não se refletiu na sinalização existente em vários areais. Enquanto algumas praias já começaram a flexibilizar as regras, outras mantêm o modelo tradicional. Na Praia da Galé, em Albufeira, os banhistas voltaram a ocupar áreas anteriormente reservadas às concessões. Já em Vila Real de Santo António, a proibição continua em vigor. Os operadores de praia argumentam que a manutenção da atual organização é essencial para garantir a segurança dos utilizadores e evitar situações de desordem no areal. Alguns receiam mesmo que uma liberalização total da ocupação das praias transforme determinadas zonas numa verdadeira “selva”, dificultando a circulação e a gestão do espaço. Além das preocupações relacionadas com a segurança, existe também apreensão quanto ao impacto económico da medida. Atualmente, muitos turistas e frequentadores pagam cerca de 20 euros para usufruir dos serviços disponibilizados pelas concessões, incluindo chapéus, espreguiçadeiras e apoio de praia. A possibilidade de qualquer banhista instalar os seus próprios equipamentos em frente a essas áreas poderá reduzir a procura pelos serviços concessionados.

Praia de Monte Gordo

Concessionários pedem regras clarasOs concessionários das praias algarvias defendem que a situação resulta essencialmente da falta de orientações uniformes por parte das entidades competentes. André Sousa, concessionário na Praia do Garrão, afirma que os operadores têm seguido as regras constantes da sinalética e dos editais de praia. “A verdade é que parece que nunca houve nenhuma lei, mas nos editais de praia vinha sempre a dizer que era obrigatório cumprir a sinalética em vigor”, explicou. O empresário rejeita ainda a ideia de que os concessionários tenham atuado de forma abusiva, defendendo que apenas informavam os utentes sobre as zonas destinadas à colocação de chapéus-de-sol particulares. “Nunca obrigámos ninguém a sair. Sempre recomendámos às pessoas, informando tod...

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Domingos Caetano sempre quis fazer música à sua maneira

31 May 2026 at 11:11

Domingos Caetano nasceu a 7 de dezembro de 1956, na Fuzeta. Músico, compositor e professor, começou por se afirmar como autodidata no mundo da música, antes de ingressar no conservatório, onde estudou piano e acústica. A sua atividade profissional iniciou-se nos bailes, passando posteriormente para eventos em hotéis, num percurso típico de muitos músicos da sua geração no Algarve. Tudo começou com uma guitarra e alguma rebeldia. A história recua a 1975, quando o irmão lhe trouxe uma guitarra de Angola que lhe mudaria o rumo. O resto fez-se com obsessão, curiosidade e algumas faltas às aulas pelo meio: “Eu faltava às aulas. Queria era tocar, aproveitar todo o tempo que tinha para aprender.” Não há romantização. Há honestidade. A paixão veio primeiro, tudo o resto veio depois. Depois de alguns ensaios com amigos, surge a primeira banda. Na altura já existia a banda “Pop 2002” e quando o guitarrista foi para a tropa, fizeram um acordo improvável: Domingos ficava com o material, tocava, e dividia o cachê. Foi assim que juntou dinheiro até comprar o próprio equipamento. “A partir daí foi sempre de seguida até hoje”, conta. Em 1979 nascem os Íris, uma das bandas de rock português mais antigas em atividade. A "brincadeira" que mudou tudo Durante anos, os Íris foram apenas um grupo de amigos a tocar por gosto. Sem estratégia, sem planos de carreira, até que surge uma “brincadeira” em palco. Inspirado em “The House of the Rising Sun”, Domingos criou uma versão muito própria: “Oh Mãe”, cantada com o sotaque carregado da Fuzeta, sem filtro. “O facto de cantar assim criou uma coisa completamente louca, porque ninguém fazia isso.” O impacto foi imediato: “Eu tinha que tocar aquela música às vezes quatro ou cinco vezes por noite. Toda a gente queria ouvir aquilo.” Aquilo que começou como improviso transforma-se num fenómeno local. O público insiste: aquilo tem de ser gravado. Mas Domingos resiste. “Gravar? Não pá, isso não tem piada nenhuma. Isso é uma brincadeira que eu faço.” Até que a pressão vence. Gravam uma maquete, sem grandes expectativas. Mas o acaso, ou o destino, volta a entrar em cena quando cruzam caminho com Neil Kay, ligado ao universo dos Iron Maiden, que frequentava os espaços onde a banda tocava em Faro. “Ele pegou nessa música e em mais algumas que nós tínhamos, levou e conseguimos este contrato com a Vidisco”, relembra. O resto acontece depressa: “Lançámos o primeiro CD e foi um sucesso.”

Domingos Caetano e Gabriel, que está a aprender a tocar bateria

O momento em que tudo muda O sucesso já se fazia sentir nos concertos, mas houve um instante, inesperado e quase irónico, que confirmou tudo. “Era 11 da manhã e eu a essa hora estou sempre a dormir”, recorda. O telefone toca: “‘Oh Mãe’ está em quarto lugar no top nacional.” A reação não foi imediata, nem eufórica: “O Íris no top nacional? Foi um choque.” Nesse momento, os Íris deixaram de ser apenas uma banda do Algarve para passar a fazer parte do país inteiro. Criar por gosto, nunca por o...

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